Novo desfribilador protege contra morte súbita

Terminou na semana passada em São Paulo o 34º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, que reúne centenas de cardiologistas em torno das principais novidades para o tratamento cardíaco. Dentre elas está a chegada de um novo desfibrilador implantável para ressincronização cardíaca, que acaba de chegar ao País. Lançado por uma empresa norte-americana, o equipamento foi desenvolvido para ter dupla função: proteger os pacientes contra a morte súbita por arritmia e melhorar o bombeamento do sangue em pacientes com insuficiência cardíaca. 

Em Rio Preto, o ressincronizador já foi implantado em alguns pacientes pelos cirurgiões do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC). Hoje, segundo o cardiologista Rafael Lois Greco, de Rio Preto, existem três tipos de terapias em estimulação cardíaca artificial: marcapassos, cardiodesfibriladores e ressincronizadores. E só no Brasil aproximadamente 600 mil pessoas fazem uso desses dispositivos; sendo que os portadores de ressincronizadores e cardiodesfibriladores representam aproximadamente 5% a 10% deste total. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares (DCV) são responsáveis, no País, por 33% das mortes registradas a cada ano. Entre os óbitos ocorridos por causa de uma DCV 9% são atribuídos à insuficiência cardíaca.

Tecnologia de ponta 

O cardiologista Martino Martinelli Filho, da Unidade Clínica de Marcapassos do Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, afirma que o novo desfibrilador, por ser monitorado via computador, permite ao médico aumentar a eficiência do dispositivo eletrônico e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “Isso porque apenas com o uso de computadores que utilizamos para programar os dispositivos eletrônicos poderemos escolher maneiras simples de eliminar, de modo seguro, sintomas desconfortáveis, até então corrigidos apenas com novo procedimento cirúrgico”, diz.
O médico afirma que o manuseio é muito fácil. “Além disso, por ter uma alternativa de mudança do local do músculo cardíaco a ser estimulado, é muito útil para otimizar o desempenho da ressincronização, o que melhora ainda mais o tratamento da insuficiência cardíaca”, diz. 

Aparelho três em um

O cardiologista Adalberto Lorga Filho, responsável pelo setor de Eletrofisiologia e Dispositivos implantáveis do IMC e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca (SOBRAC), regional de Rio Preto, que já implantou o novo desfibrilador em pacientes rio-pretenses, explica que o novo aparelho oferece, na realidade, três dispositivos em um.
Lorga Filho diz que esse aparelho tem a função de um marcapasso convencional, mais a capacidade de ressincroni-zação cardíaca (fazendo com que os dois ventrículos, que antes não conseguiam bater simultaneamente, agora passem a bater simultaneamente e bombear o sangue de forma mais fisiológica) e mais a função de desfibrilador, que permite reverter, através de um choque, arritmias malignas que coloquem o paciente em risco de vida e que frequentemente não conseguem ser atendidos a tempo (prevenção de morte súbita). Já o médico Rafael Greco lembra que para aqueles pacientes que fazem uso do ressincronizador e que não desejam sofrer sustos é importante manter um padrão de vida saudável e evitar excessos (abuso de bebida alcoólica). “Também não praticar atividades físicas que excedam os limites recomendados, e, o mais importante, realizar acompanhamento cardiológi-co com avaliação eletrônica do dispositivo com médico especializado para ajuste do aparelho de acordo com a doença de base do paciente”, completa. O cardiologista recomenda ainda que é preciso fazer uso correto das medicações orientadas pelo médico e realizar os exames periódicos de check-up e, principalmente, manter um hábito de vida saudável.

Texto adaptado do site diarioweb.com.br

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Sobre Piero Lourenço

Biomédico em 2006, atuou em pesquisa científica no Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina USP – LIM 48. Tem experiência na área de Imunologia Cardíaca com ênfase em Imunologia Aplicada (Doença de Chagas e Tuberculose). Habilitado em Patologia Clínica e Imunologia pela Faculdade de Medicina USP (2007) e MBA em Gestão de Negócios no IBMEC RJ (Instituto Brasileiro Mercados e Capitais). Atualmente trabalha para a Boston Scientific na área de estimulação cardíaca artificial com vasto conhecimento em cirurgia eletrofisiologia/ablação, implante de marcapasso e válvula cardíaca.
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