Cardioversor-desfibrilador implantável causa limitações ao paciente?

Entenda se o CDI impede a pessoa de fazer sexo ou usar alguns eletrodomésticos.

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O paciente que vai colocar o CDI (cardioversor-desfibrilador implantável) é aquele que está em risco de ter um problema chamado arritmia cardíaca. Algumas arritmias são rápidas a ponto de fazer com que o coração não consiga mais bombear o sangue necessário para o corpo funcionar direto, em alguns casos levando à parada cardíaca. Parada cardíaca é quando o coração está batendo ou muito rápido ou muito lento, de forma que o sangue não consiga circular. Por isso foi criado um dispositivo CDI, um aparelho semelhante ao marcapasso, que não evita as arritmias, mas reconhece uma quando ela aparece, avalia sua gravidade e quando indicado interrompe a arritmia por meio de choque ou estimulação rápida – como um desfibrilador. Os CDIs também funcionam como marcapasso quando necessário. 

É muito importante entender para que serve o desfibrilador implantável e como se comportar usando ele. A função dele é oferecer uma proteção extra ao paciente em risco de arritmias cardíacas, permitindo que ele tenha uma vida mais longa e saudável. O CDI não deve ser encarado como um estorvo ou limitação, pelo contrário, deve permitir que o portador faça viagens, namore, coma e pratique atividade física (sim, alguns exercícios são autorizados e até incentivados para melhora de qualidade de vida e no ânimo!)

Regras da boa relação com o CDI:

É muito importante entender para que serve o desfibrilador implantável e como se comportar usando ele

  • Discuta com seu médico sobre o tipo de atividades e que você gosta de fazer, frequência e intensidade. Pergunte a ele se estas atividades são adequadas e obedeça às orientações
  • Tome as medicações indicadas na dose certa e hora certa. Isso evita choques ou piora da doença cardíaca
  • Visite seu médico (Nem que seja para tomar um café, nós gostamos disso!)
  • Não fique “cutucando” seu aparelho – ele está onde deve estar! Isso pode interferir nas coisas que colocamos aí com tanto cuidado. Sem contar que ele pode ficar “irritado” e dar um choque
  • Proteja o aparelho de impactos e movimentos bruscos
  • Se você recebeu um choque apenas, tente se repousar. Observe sua frequência cardíaca e o que você esta sentindo. Geralmente ele acontece uma vez só e é suficiente para interromper a arritmia. Telefone para seu medico e vá para o hospital, de táxi, ambulância ou de carona (não dirija) em até 24 horas. Dois ou mais choques, sensação de palpitação ou taquicardia, tontura, dor no peito, falta de ar e fraqueza que dura mais de cinco minutos é motivo para procurar imediatamente o pronto socorro
  • Não fique muito perto de geradores, motores, campos magnéticos, torres de transmissão, fios de alta voltagem e materiais imantados. Isso pode alterar temporariamente a função do CDI
  • Quando usando aparelhos que geram vibração frequente – como furador, batedeira e moedor de carne elétrico – mantenha longe do local onde está implantado o gerador. Vibração frequente e mantida pode ser interpretada como arritmia, causando um choque inapropriado
  • Use celular, aparelhos de som e celulares a uma distancia maior que 15 centímetros do gerador do CDI
  • Alguns procedimentos médicos devem ser feitos com precaução. Sempre leve sua carteirinha do CDI e relatório medico para qualquer exame.

O que muitos querem saber, mas tem vergonha de perguntar: e o sexo?

Pode fazer, sem problema nenhum. Na verdade, deve! A aceleração do coração durante o sexo pode em raros casos causar uma terapia inapropriada, mas o CDI é programado para reconhecer isso e não disparar um choque desnecessário. O seu parceiro pode ter uma leve sensação na hora do choque. Não há nenhum risco para a/o parceira/o. Se isso acontecer (mas saibam que isso é muito raro!) parem o que estiverem fazendo e ajam como foi falado antes, descansando um pouco e procure o médico quando amanhecer. Mas não há motivo para ter medo de começar ou dar andamento a uma relação sexual por conta do CDI.

ESCRITO POR: Bruno Valdigem para o Site minhavida

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Sobre Piero Lourenço

Biomédico em 2006, atuou em pesquisa científica no Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina USP – LIM 48. Tem experiência na área de Imunologia Cardíaca com ênfase em Imunologia Aplicada (Doença de Chagas e Tuberculose). Habilitado em Patologia Clínica e Imunologia pela Faculdade de Medicina USP (2007) e MBA em Gestão de Negócios no IBMEC RJ (Instituto Brasileiro Mercados e Capitais). Atualmente trabalha para a Boston Scientific na área de estimulação cardíaca artificial com vasto conhecimento em cirurgia eletrofisiologia/ablação, implante de marcapasso e válvula cardíaca.
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