Cardiologista desmistifica o marcapasso

MARCAPASSO 3
Existem quatro tipos de doenças do coração: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia decorrente do mal de Chagas. E todas elas evoluem para a insuficiência cardíaca grave, mal que atinge cerca de 4 milhões de pessoas no Brasil e que pode exigir a utilização de marcapassos, segundo dados do Ministério da Saúde de 2005.
Esse aparelho, porém, ainda está envolvido por uma série de mitos que, segundo o cardiologista Celso Salgado, especialista em marcapassos, são problemas antigos. “O marcapasso é um dispositivo eletrônico, composto de um eletrodo, que leva o estímulo elétrico ao coração, e de um gerador, que é o próprio marcapasso, colocado debaixo da pele. Ele é utilizado para resolver o problema de quem tem frequência cardíaca baixa. Existem hoje milhares de pessoas que são portadoras dessas próteses, mas que levam uma vida completamente normal”, explica.
Uma das principais dúvidas envolve o uso dos fornos microondas. Isso porque ele é um aparelho que trabalha com os elétrons de substâncias bipolares existentes na natureza. O especialista explica que existem três grandes grupos de substâncias: água, açúcar e gordura. “Basicamente o que compõe os alimentos. E o microondas consiste basicamente em liberar uma energia muito grande em pequenas ondas que aquece os alimentos”.
Alguns metais, no entanto, sofrem alteração dessas ondas. “Mas em relação às interferências, o microondas não tem ação alguma sobre o marcapasso. Se o aparelho estiver estragado, enferrujado ou com vazamento, o que pode ocorrer é ele gerar queimaduras graves na pele das pessoas, tenham ou não um marcapasso. Nesse caso, pode também provocar aborto em mulheres gestantes, além de alterações cerebrais em crianças pequenas, pois age com energia de alta potência e não adianta estar a 2 metros de distância”, alerta.
Salgado afirma, ainda, que o aparelho mais popular dos últimos anos também não oferece perigos. “Em 1995, fiz um trabalho quando começou a ser disseminado o celular. Havia discreta interferência sobre marcapassos antigos. Hoje já não há absolutamente nenhum problema, pois os circuitos e os filtros do aparelho melhoraram e a própria carcaça, feita de titânio, veio impedir que haja qualquer interferência”.
Por isso, o médico tranquiliza que não existe qualquer risco de alteração do marcapasso, seja provocada por controle remoto, chuveiro e ferro de passar roupa. “Nem mesmo a porta giratória do banco interfere no funcionamento do marcapasso. O único cuidado que recomendamos aos pacientes é que evitem o colchão magnético, porque os ímãs presentes no colchão aumentam a frequência do marcapasso e, durante o sono, a pessoa precisa de batimentos mais lentos”, encerra.
Fonte: Jmonline
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Sobre Piero Lourenço

Biomédico em 2006, atuou em pesquisa científica no Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina USP – LIM 48. Tem experiência na área de Imunologia Cardíaca com ênfase em Imunologia Aplicada (Doença de Chagas e Tuberculose). Habilitado em Patologia Clínica e Imunologia pela Faculdade de Medicina USP (2007) e MBA em Gestão de Negócios no IBMEC RJ (Instituto Brasileiro Mercados e Capitais). Atualmente trabalha para a Boston Scientific na área de estimulação cardíaca artificial com vasto conhecimento em cirurgia eletrofisiologia/ablação, implante de marcapasso e válvula cardíaca.
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