Brasileiros desenvolvem primeiro monitor cardíaco portátil do mundo

Aparelho contém eletrodos, comunicador e GPS, envia aos médicos informações sobre o funcionamento cardíaco do paciente, além do lugar onde ele se encontra para caso precise de atendimento emergencial.

monitor

Um grupo de especialistas brasileiros desenvolveu o primeiro monitor cardíaco portátil inteligente do mundo. O aparelho permite o envio à distância de eletrocardiogramas, a detecção precoce de problemas do coração que podem levar a um infarto ou à morte súbita, além da localização do paciente para o seu socorro caso seja necessário. O monitor, que aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder ser usado no país, será útil a pacientes que apresentam um alto risco cardíaco, como aqueles que sofreram um infarto recentemente ou que possuem familiares que tiveram uma morte súbita cardíaca.

Essa nova tecnologia é resultado de um projeto desenvolvido ao longo de cinco anos pelo Flextronics Instituto de Tecnologia (FIT), uma organização sem fins lucrativos, junto à empresa Corcam. Depois de pronto, o aparelho foi testado ao longo de um ano e meio por médicos do Hospital do Coração, em São Paulo.

De acordo com Enrique Pachón, cardiologista do Serviço de Arritmias Cardíacas e da Central de Telemedicina do Hospital do Coração, um dos médicos envolvidos nesse estudo, o teste do monitor cardíaco foi feito com cerca de 120 pacientes, entre eles pessoas com e sem problemas cardíacos. “Os resultados mostraram que o aparelho é eficaz em identificar de forma precoce quando um paciente apresenta algum risco cardíaco e quando necessita de atendimento emergencial. Além disso, as conclusões do estudo cumpriram todos os requisitos impostos pela Anvisa”, disse o médico ao site de VEJA.

Funcionamento — Na prática, o aparelho funciona da seguinte forma: um paciente com alto risco cardíaco passa a andar com eletrodos colados em seu peito que são ligados a um aparelho cujo tamanho é um pouco maior do que o de um telefone celular. Esse aparelho transmite automaticamente os dados cardíacos do paciente para uma central onde há médicos capacitados para avaliar os eletrocardiogramas. O monitor também possui um comunicador que permite que um médico da central fale diretamente com o paciente, além de um GPS que possibilita que os profissionais identifiquem onde o paciente está caso ele se sinta mal e precise de cuidados emergenciais.

“Esse aparelho detecta muito bem alterações no coração, como uma arritmia cardíaca, antes mesmo de o paciente sentir qualquer sinal. Essas alterações podem levar a um ataque cardíaco ou até evoluir para uma morte súbita”, diz Pachón. Segundo o cardiologista, essas alterações detectadas pelo monitor são identificadas pelos médicos na central. “Os profissionais, então, devem entrar em contato com o paciente para verificar se ele está se sentindo bem, orientá-lo em relação a alguma medicação ou para que ele se dirija a um hospital. Caso o paciente não esteja se sentindo bem, ou então não responda aos médicos, uma ambulância é acionada para socorrê-lo”, afirma Pachón.

Mercado — Segundo Pachón, para que o aparelho possa ser usado na prática clínica – ou seja, fora do âmbito da pesquisa – é preciso apenas a última posição da Anvisa. A data oficial para essa resposta estava marcada para o dia 15 de abril. “Acreditamos que até o fim de abril a Anvisa já autorize o uso do monitor em pacientes”, diz. O aparelho deve chegar ao mercado com o nome de Nexcor. Os Estados Unidos e alguns países da Europa vão receber ainda neste semestre os primeiros modelos produzidos no Brasil. Estima-se que o preço do ‘aluguel’ do aparelho seja de 600 reais por semana, segundo seus criadores.

Matéria publicado no site Revista Veja

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Sobre Piero Lourenço

Biomédico em 2006, atuou em pesquisa científica no Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina USP – LIM 48. Tem experiência na área de Imunologia Cardíaca com ênfase em Imunologia Aplicada (Doença de Chagas e Tuberculose). Habilitado em Patologia Clínica e Imunologia pela Faculdade de Medicina USP (2007) e MBA em Gestão de Negócios no IBMEC RJ (Instituto Brasileiro Mercados e Capitais). Atualmente trabalha para a Boston Scientific na área de estimulação cardíaca artificial com vasto conhecimento em cirurgia eletrofisiologia/ablação, implante de marcapasso e válvula cardíaca.
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